Foto Nadiella Monteiro
Desce um fio invisível
que sustenta intrincado novelo
Tece, a vida, uma estrela de mil pontas
bela e multicolorida
ela se sustenta no ar mas queima dentro do peito respeita todas as diversidades entende rebeldias, mas não aceita preconceitos Uma mulher encantada e que nunca foi uma das Parcas, zela pelo fio invisível que sustenta o novelo Olha o trabalho das Moiras, Encanta-se com Cloto que trabalha até a Nona lua, Admira o trabalho de Láquesis que começa na lua Décima Mas meticulosa segura a mão de Átropos Para que a tesoura precocemente não fira o fio Guardo dentro do peito uma estrela de mil pontas Entre as paginas amareladas do livro do meu estradar Tanto caminho e tanto sol Tanta trilha e tanto canto Tanto por fazer e já não aguentar A estrela já não se sustenta Quer sair e ser alta, brilhar Mas o peito oprimido e pesado Quer se render à sombra Quer lamber feridas Quer se fechar A estrela multicolorida quer ganhar espaço E o rio Capibaribe nesse ponto não dá Val A vida Severina quer se render Para ver se, como Macabéa, encontra sua hora de estrela Láquesis vai perdendo o interesse pela trama E Átropos, cada vez mais ansiosa, quer o fio cortar Com uma palavra encanta, Com gesto singelo Com uma imagem figurada Dulcinéia me abarca Envolve Abraça Desvia a tesoura de Átropos Instiga Láquesis a seguir E faz a Roda da Fortuna, por mais um tempo, voltar a girar
Santa Rosa, Pará de Minas, 05 de abril de 2014.
pra você, Santa Rosa:
O dom de Quixote é criar,
Do desterro e do deserto, a vida.
Ainda que também crie monstros de moinhos,
Cria beleza onde não há.
Então, que sua espada roube os fios e escolha a trama:
É doce sua Dulcinéia
E tem retorno o corte de Átropos.
Gira a roda e a água cresce em madeira, que nutre o fogo,
Que vira terra, que produz o metal, que gesta e pare a água,
Que faz, da décima lua até agora, a roda da sorte girar.
E girar.
E girar.
A vida Severina é dura e seca,
Mas alimenta-se dela mesma:
Vida, dura, seca.
E permanece a caminhar.
Nadiella, BH, 05 de abril de 2014
Não vejo o fio
Nem a trama Vejo cores Arco íris de bala retorcido Lembranças de infância Onde foi que as esquecemos Ou as guardamos Quando escurecemos aquele primeiro olhar Onde tudo é cor e vida Onde se esconde aquela sensação De plena felicidade Onde repousa o ano novo Sem data Acho que se ouvirmos baixinho E procurarmos no espelho Sentiremos o gosto de doce
Ana, BH, 06 de abril de 2014
|
Começa o turno, guarda de três
ResponderExcluirmosqueteiros chamados em ordem:
Idael, Na, Ana
Christiano, Di, Cris
Almeida, Ella, Tina
Santa, Monteiro, Bahia
Rosa, Jardim, Paiva
e vão se seguindo as rondas
e vão se seguindo as horas
cada triptico menos militar que o outro
a academia que os formou lhes deu patente
mas a forja não forte o suficiente para enformar-los
mantiveram suas formas
seus vieses
Na, Idael, Ana
Di, Christiano, Cris
Ella, Almeida, Tina
Monteiro, Santa, Bahia
Jardim, Rosa, Paiva
Os turnos se sucedem
os trios de mosqueteiros marcham
"soldados cabeça de papel"
e o papel se enche de poesia
e o papel se enche de artesanato
e o papel se enche de confeitos
e o quartel se enche de arte
como na academia explicitamente não se vi
Do setor dos loucos, filósofos, comunistas e poetas
alguém observa e sorri
talvez escreva poemas mentais
deleitando-se com seus mosqueteiros gauches
que passaram a graduação se sentindo errados
sem perceber que a forma é que era o erro
o velho já quase reformado observa alegre
o rondo da guarda dos três mosqueteiros
Ana, Na, Idael.
Cris, Di, Christiano
Tina, Ella, Almeida
Bahia, Monteiro, Santa
Paiva, Jardim, Rosa
A guarda dos mosqueteiros gauches
segue seu rondo alegre e artístico
panis et circus veterinus
poesia, gastronomia e fotografia
tornando mais rico o mundo
lutando por justiça e fraternidade
três mosqueteiros gauches
três quixotes em seus queridos rocinantes
enfrentando seus moinhos de vento internos
e se fazendo de fortes para fora
três mosqueteiros que são três centurias
e apenas três escudeiros uns dos outros
brandindo duas colheres de pau
suas câmeras fotográficas
suas canetas
sabendo que são:
um por loucos, e loucos por cada um.
Varginha, 20 de agosto de 2014